Pedro Campos Costa / Paulo Moreira (TEXTO) + Valter Vinagre (FOTOGRAFIA)

Noutra Costa da Caparica

O bairro das Terras do Lelo Martins existe mas não se vê. Está “camuflado” entre terrenos agrícolas na sombra da frente marítima densamente construída e a paisagem protegida da arriba fóssil da Costa da Caparica. A existência do bairro é um tema controverso, de difícil resolução. Trata-se de um assentamento de formação espontânea onde vivem aproximadamente 400 pessoas em casas autoconstruídas.

N.º 247

DEBATE A CÉU-ABERTO

O número 247 do Jornal Arquitectos foi apresentado publicamente na Costa da Caparica na passada sexta-feira dia 7 de Junho e no sábado, dia 8, houve nova apresentação no Porto, na garagem das casas de Álvares Cabral, num debate a céu-aberto. A publicação do segundo número da nova série do

Tiago Trigo

Morte e vida de um pequeno concurso

O modelo do concurso público é, em abstracto, um válido ditador de escolhas. Todavia, e sendo impossível determinar o mérito ou a qualidade absolutos, o concurso é também o representante de uma certa ilusão democrática que o poder político tem sabido explorar. O concurso, não raras vezes, apresenta uma ambiguidade valiosa: mediaticamente é democrático, e por isso legitimador da acção; operativamente é burocrático, e por isso anulador de tudo aquilo que se propõe representar.

N.º 247

EDITORIAL

A arquitectura está refém da sua suposta inutilidade. À falta de investimento na construção, as competências próprias da disciplina são tidas como dispensáveis. A urgência do quotidiano mobiliza recursos noutras direcções, e os arquitectos são instados a mudar de profissão ou a emigrar. Esta lógica é equívoca: a arquitectura não é apenas um saber instrumental à mercê das flutuações do mercado; a arquitectura é uma forma de conhecimento útil nas mais variadas circunstâncias. Só que a falta de encomenda, depois de anos de excesso da mesma, deixa a profissão num impasse que a fragiliza. Será que os arquitectos só servem para desenhar edifícios ou para coordenar planos de urbanização?

O Arquitecto espontâneo

Num cenário em que os desafios económicos e sociais são cada vez mais complexos, são também cada vez mais os arquitectos que iniciam a sua prática profissional fora de um contexto tradicional de encomenda. Quer isto dizer que iniciam os seus próprios projectos, angariam fundos para os realizar, negoceiam lugares para os implementar e encontram legislação que permita a sua construção. Esta realidade questiona as estruturas tradicionais da prática e do ensino da arquitectura. Fomos ao encontro dos Assemble, um colectivo de dezoito arquitectos, para perceber de que forma trabalham, que métodos usam e se voltarão à escola.

Marta Caldeira

As outras práticas da arquitectura

Os dados foram lançados e dobrou-se a aposta na formação teórica: a frente académica da east-coast americana promete reconfigurar o território disciplinar da arquitectura. De Yale ao MIT, passando por Harvard e Columbia, as principais escolas de arquitectura dos Estados Unidos levaram a cabo

Ana Reis

Futebol para a esperança

Em Cabo Verde, a iluminação pública é quase inexistente, e a viagem de Toyota Hiace da Cidade da Praia para o Tarrafal, à noite, faz-se emersa na escuridão e no bafo quente do ar húmido da ilha. Na manhã do dia em que se apresentou o projecto “20 Centres for 2010” no Tarrafal, a primeira

ELIANA SOUSA SANTOS

‘MNEMOSYNE’ de uma nota só

A exposição ARX arquivo/archive mostra a obra do atelier liderado pelos irmãos Nuno e José Mateus. É a segunda exposição monográfica dedicada ao trabalho dos ARX Portugal no Centro Cultural de Belém, a primeira – Realidade-Real –, em 1993, foi uma das mostras que inauguraram o CCB. Naquele momento, apresentada em paralelo com a exposição O Triunfo do Barroco – que se ofereceu como grande celebração do passado e apresentou Portugal à União Europeia –, a exposição apresentada pelos ARX celebrava o futuro: mostrava o trabalho de um atelier muito jovem e com uma forte influência internacional.

Joaquim Moreno

O centro ‘sexy’ ou Nova Iorque no Minho

Para quem chega pela primeira vez, o CAAA é uma fábrica pintada de preto. Como está a 30 segundos do shopping e o empedrado da rua em frente cheira a centro histórico, a demão de tinta na velha fábrica marca logo pontos na regeneração urbana, ou de modo mais congenial, na invenção de urbanidade.

Rui Mendes

Um mundo de alegria 30

Em desenvolvimento pelo pelouro da Mobilidade do município de Lisboa, o projecto “Zona 30” é enunciado com referência a uma carta das Nações Unidas de 2007, sob a premissa de que “uma cidade segura é uma cidade justa”. Os objectivos do projecto são reduzir a velocidade de circulação automóvel no interior da cidade, reduzir a poluição sonora e ambiental e garantir mais segurança rodoviária. Na sequência de experiências já realizadas noutras cidades europeias, Lisboa prepara-se para aderir ao projecto “Zona 30” e, assim, ser também “mais europeia”.